Jurídico

7 erros que um preposto na Justiça do Trabalho não pode cometer

Atuar como preposto na Justiça do Trabalho é uma responsabilidade estratégica: esse representante fala em nome da empresa na audiência e o que ele disser (ou não disser) pesa no convencimento do juiz. A própria CLT autoriza a atuação do preposto desde que conheça os fatos do caso, e as declarações dele têm valor para o processo.

A boa notícia: quase todos os problemas mais comuns podem ser prevenidos com preparo, alinhamento e simulação prática.

O que acontece quando o preposto erra

Erros de informação, contradições ou sinais de desconhecimento podem levar à confissão ficta, enfraquecendo a defesa. A Súmula 74 do TST explica como o juiz pode lidar com situações de confissão e prova, deixando claro o potencial impacto de um depoimento mal conduzido.

Outro ponto sensível é a carta de preposição. Embora seja prática forense usual o juiz exigir o documento para comprovar poderes, o próprio TST já registrou que não há imposição legal automática e a ausência, por si só, não acarreta revelia/confissão — ainda que descumprir uma determinação específica do juiz possa gerar efeito processual. Em termos práticos: leve a carta e evite riscos desnecessários.

7 erros fatais que um preposto não pode cometer

1) Ir à audiência sem dominar os fatos

Chegar “no escuro” sobre contrato, rotina de trabalho e pontos discutidos no processo compromete respostas e pode culminar em confissão ficta. Como evitar: briefing completo, leitura da inicial/defesa/documentos e roteiro de perguntas e respostas antes da audiência.

2) Contradizer a defesa escrita da empresa

Depoimento desalinhado derruba a credibilidade. Como evitar: reunião prévia com o advogado para harmonizar narrativa, escopo e limites de fala.

3) Demonstrar nervosismo ou insegurança

Insegurança passa a impressão de que a empresa não domina o caso. Como evitar: simulações de audiência com feedback imediato (metodologia que usamos no treinamento da BCN Treinamentos), ensaio de linguagem corporal, treino de pausas e de respostas objetivas.

4) Responder de forma evasiva (“não sei”, “talvez”)

Evasivas sugerem desconhecimento. Como evitar: preparar respostas assertivas, ancoradas em fatos e documentos; quando não souber, explicar o que sabe e se comprometer com precisão (sem especular).

5) Entrar em confronto ou perder a calma

Discussões com reclamante, advogado ou juiz só prejudicam. Como evitar: foco no fato, tom neutro, respeito ao rito; se provocarem, respire, paute a resposta em dados e finalize.

6) Ignorar orientações do advogado

Falar além do necessário pode abrir flancos. Como evitar: seguir a estratégia jurídica combinada; se surgir pergunta fora do roteiro, responder o estritamente necessário.

7) Faltar, atrasar ou improvisar substituição de última hora

A ausência/atraso pode gerar efeitos processuais graves. Como evitar: planejamento logístico, suplente preparado (se preciso) e documentação pronta — incluindo a carta de preposição, que, embora não seja obrigatória por lei em todos os casos, costuma ser exigida e evita incidentes.

Caso real (lição aprendida): “o preposto escondido debaixo da mesa”

Em uma audiência virtual que viralizou, um advogado tentou esconder o preposto debaixo da mesa; o juiz percebeu e suspendeu a sessão, determinando depoimentos presenciais depois. Para além do absurdo, o episódio evidencia a necessidade de conduta ética, transparência e respeito às regras da audiência (inclusive em ambiente remoto).

O que aprendemos: ambiente controlado, sem interferências; todos os participantes visíveis, identificados e isolados; e orientação prévia sobre etiqueta processual em videoconferência.

Como preparar o preposto (passo a passo prático)

  1. Estudo dirigido do processo
    Petição inicial, defesa, documentos-chave e cronologia dos fatos (linha do tempo).
  2. Alinhamento jurídico
    Pontos sensíveis, “proibidos” e “obrigatórios”; o que enfatizar, o que evitar; parâmetros de eventual acordo.
  3. Simulação de audiência
    Roteiro de perguntas difíceis, treino de respostas objetivas e postura sob pressão.
  4. Documentos e logística
    RG, carta de preposição (para evitar incidente), eventuais documentos sinalizados pelo advogado; teste técnico (áudio/vídeo/internet) quando a audiência for virtual.
  5. Checklist final (10 minutos antes)
    Ambiente silencioso e adequado, câmera alinhada, materiais à mão, celular no silencioso, foco total.

FAQ — dúvidas comuns sobre “Erros de preposto”

O preposto precisa ser empregado da empresa?
A CLT permite substituição por gerente ou qualquer preposto que conheça os fatos. Na prática, tribunais valorizam quem demonstra conhecimento efetivo da relação de trabalho. TRT 4ª Região

É obrigatório apresentar carta de preposição?
Não há imposição legal automática, mas juízes frequentemente a exigem. Para evitar incidentes (ou desobediência a ordem específica), leve a carta.

Quais são as consequências de um depoimento ruim?
Risco de confissão ficta e enfraquecimento da defesa — a Súmula 74 do TST disciplina o tema.

Em audiência virtual, o preposto pode ficar com outras pessoas na sala?
Não. O caso notório do “preposto escondido” ilustra que isso viola regras e pode levar à suspensão/medidas. Cada tribunal tem orientações, mas transparência e isenção são mandatórias.

Conclusão: prevenir “Erros de preposto” é proteger a empresa

A atuação do preposto na Justiça do Trabalho é decisiva. Com preparo técnico, alinhamento jurídico e simulações realistas, é possível evitar os erros que custam caro e aumentar a previsibilidade da audiência.

Quer treinar seu time?
O Treinamento de Preposto na Justiça do Trabalho da BCN Treinamentos inclui simulações de audiência e orientação prática para representar a empresa com segurança.

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